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2010
Ella, sempre ela
Incrível como o tempo passa, mas alguns clássicos, algumas letras, músicas e artistas permanecem no tempo.
Ella para mim é eterna.
Com uma vida na infância muito difícil se apresentou pela primeira vez no Harlen no Teatro Apollo, em 1934. Nos anos seguintes, participou de Big Bands com discos na Gravadora Decca. Mas o declínio da era do swing e das grandes turnês das Big Bands trouxe uma mudança signifativa no jazz. O advento do bebop provocou uma alteração no estilo vocal de Ella, influenciado por seu trabalho com a big band de Dizzy Gillespie, com quem cantou por muitos anos. Foi nesse período que ela começou a utiliza o scat em seu repertório, que consiste basicamente em se cantar, não querendo dizer, nada, nem palavras, tentando criar algo equivalente a um solo instrumental usando apenas a voz.
Já em 1955, seu empresário particular cria a Verve, uma gravadora onde Ella chegaria ao grande público, com 8 Songbooks, gravados em intervalos irregulares até 1964. Cole Porter, Duke Ellington foram alguns dos artistas-tema dos álbuns, que seriam a série mais bem sucedida de sua carreira.
Enquanto gravava os songbooks e ocasionais álbuns de estúdio, Fitzgerald se apresentava ao vivo durante 40 a 45 semanas por ano, nos Estados Unidos e internacionalmente, sob a tutela de Norman Granz, eterno empresário que ajudou a solidificar sua posição como uma das principais intérpretes ao vivo de jazz.
Em meados da década de 1950, Fitzgerald se tornou a primeira negra a se apresentar no Mocambo, depois de Marilyn Monroe interceder a seu favor com o proprietário da casa.
Seus anos na última gravadora, Pablo, documentaram o declínio de sua voz. Atormentada por problemas de saúde, Ella fez sua última gravação em 1991, e sua última apresentação ao vivo em 1993.
Ella participou de filmes de cinema, seriados, programas de televisão, apareceu em diversos anúncios publicitários na televisão entre eles, para a rede de fast-food Kentucky Fried Chicken, cantando e fazendo scat em cima do slogan da cadeia, “We do chicken right!” Sua última campanha publicitária foi para a American Express, na qual ela foi fotografada por Annie Leibovitz.
Em uma época e em um país onde a pele negra valia nada ou quase nada, ela foi um exemplo na música e na vida.
Notoriamente tímida, Ella ao ser homenageada pela Society of Singers, dando o seu nome a um de seus prêmios, comentou: “Não quero dizer a coisa errada, o que eu sempre acabo fazendo. Acho que me saio melhor quando canto.”
Já afetada pelos problemas de visão causados pela diabete, Ella Fitzgerald teve suas duas pernas amputadas em 1993. Morreu em 1996, em Beverly Hills, Califórnia, aos 79 anos de idade.
An article by Matramba












